O sistema de transporte rodoviário intermunicipal do Rio Grande do Norte começou a ser paralisado na manhã desta segunda-feira 6, após decisão dos trabalhadores, segundo o Sindicato dos Rodoviários do RN (Sintro/RN). A medida foi adotada em meio a atrasos no pagamento de salários e demissões em massa. Com a paralisação, ônibus e veículos passaram a ser recolhidos às garagens, afetando deslocamentos entre Natal e cidades da Região Metropolitana e do interior do estado.

A paralisação envolve todo o sistema intermunicipal, incluindo linhas metropolitanas e rotas de maior distância que ligam a capital a outros municípios. O movimento também atinge veículos do sistema alternativo, utilizados em parte das viagens entre cidades da Grande Natal e outras regiões. Não há previsão oficial para a retomada total do serviço.De acordo com o presidente do Sintro/RN, Júnior Rodoviário, a paralisação foi motivada pela insatisfação com demissões e atrasos salariais. “Nós não aceitamos a demissão em massa que os empresários de intermunicipal estão fazendo. Os trabalhadores de intermunicipal já têm uma jornada extrapolada. E os empresários demitiram 50 trabalhadores e disseram que não têm como pagar as rescisões devido à sua dificuldade”, afirmou.


Ele acrescentou que a categoria rejeita tanto as demissões quanto o não pagamento de verbas rescisórias. “O Sintro não aceita. Se é para demitir, vamos demitir todos os trabalhadores, vamos acabar o sistema de vez, de uma vez por todas. Porque desse jeito não dá também para os trabalhadores ficarem bancando”, disse, em entrevista à TV Ponta Negra.

Sobre os salários, o dirigente criticou o atraso e a proposta de pagamento escalonado. “E outra coisa é trabalhar e chegar no quinto dia útil e não receber o seu pagamento. Eles anunciam que vão pagar a partir do dia 10 e nós não aceitamos a divisão escalonada do salário dos trabalhadores. Os trabalhadores trabalham, passam o mês todinho trabalhando e querem receber o seu salário”, declarou.

Segundo ele, a paralisação será mantida até que haja solução. “Nós vamos ficar parados até que os empresários tomem consciência que nós não vamos bancar o sistema”.

O presidente do sindicato afirmou ainda que a paralisação foi adiada anteriormente em razão do feriado. “Nós tivemos muita responsabilidade, porque a direção tinha decidido parar na sexta-feira da Semana Santa. Em virtude do grande feriadão, nós resolvemos respeitar todo esse usuário que se deslocava para o interior. Mas agora o resto dos trabalhadores é o seguinte: que o empresário garanta o emprego do trabalhador e que aquele que for demitido que ele garanta a rescisão, que pague a rescisão, porque senão nós não vamos deixar o sistema funcionar”, disse.

O dirigente também cobrou atuação do poder público. Durante a paralisação, o acesso ao terminal rodoviário foi bloqueado, impedindo a saída de veículos. Passageiros relataram falta de informação prévia sobre a interrupção do serviço e dificuldades para seguir viagem.

Uma passageira afirmou: “Por lei, eles têm que justificar para nós 72 horas antes que haverá uma greve. Eu comprei a passagem na sexta-feira, então não tinha nenhum cartaz dentro da rodoviária que haveria uma greve”. Ela relatou ainda o tempo de espera. “Eu entrei no ônibus às 8 horas da manhã, são quase 11 da manhã e eu estou aqui. Eu já estaria em João Pessoa”.

A passageira disse que precisará buscar alternativas para chegar ao destino. “Estamos chamando o Uber e vamos solicitar o reembolso da nossa passagem”, afirmou. Outra usuária relatou situação semelhante. “Vamos ter que pagar um carro para ir para João Pessoa”, disse. Segundo ela, haverá custo adicional. “Além da passagem que eu vou entrar na justiça, lógico, a gente vai ter que pagar um carro particular para poder ir para João Pessoa, porque a gente tem compromisso lá”.

Sem previsão de normalização, a paralisação continua afetando passageiros que dependem do transporte intermunicipal no estado.

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